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sábado, 30 de outubro de 2010

A Última Noite em Praga - Final

Saímos do restaurante-boate por sugestão de Gama. Por mim ficaríamos lá mesmo. Era tranqüilo, não estava muito cheio e a bebida era barata. Como o plano anterior envolvia ir para esse outro lugar, acabei indo junto sem reclamar.

Seguimos em direção à Flora e pegamos um táxi. Os caras não deixaram a “gracinha” aqui pagar a parte dele. Foi até barato, coisa de 250 coroas tchecas (25 reais). Paramos a uma rua próxima ao centro num lugar um pouco apertado. Tinha um monte de gente na porta desse clube. A entrada custava 150 coroas tchecas (15 reais), mas o esquema era entrar sem pagar.

Havia nevado nos dias anteriores e parado a poucos dias, fazia muito frio do lado de fora, cerca de menos oito graus, e com isso, a neve que começava a derreter virava gelo nas calçadas. Então você imagina que alguns lugares a coisa era escorregadia. No equilibramos do outro lado da rua e traçamos o plano.

O manolo que sempre esqueço o nome possuía uma espécie de número em um papel com um carimbo (sim tudo nesse lado do mundo envolve carimbos).  Ele entraria, pegaria o carimbo no braço (não falei?!) e tentaria arrumar outro número lá dentro. Gama então entraria e pegaria outro número, e eu seria o último a entrar. Assim todos não pariam e a noite seria mais feliz. Hehe.

O manolo atravessou a rua e os brutamontes na porta o barraram. Gama e eu ficamos de longe observando a cena. Ele entregou o número, o gigante olhou, carimbou e deixou passar. A etapa um estava completa. Em três minutos o manolo voltava ao lado de fora. Pegou um número e entregou a gama. O papel tinha o número 15.

Então os dois seguiram se equilibrando sobre o gelo e Gama foi barrado na porta. Mostrou o papel com o número, foi carimbado e entrou. Eu fiquei lá na expectativa. Eles demoraram um pouco mais dessa vez, e eu com minha cara de bunda sozinho no frio. Cerca de dez minutos depois eles saíram.

- Oh Belino, a gente não conseguiu um número para você.

- E aí? O que vamos fazer.

- Você vai para casa e a gente fica.

- Sem graça, sério caramba.

- Toma aqui, é o mesmo número que eu usei.

- Não vai dar problema isso não? Olha o tamanho dos caras na porta, se eles me empurram eu estou lascado. Com esse gelo todo é capaz de eu ir parar dentro da estação de metrô.

- Fica frio e pega esse número. Fica tranqüilo, vai dar certo.

Peguei o tal número, me benzi e segui-os para a porta. Ao chegar lá me equilibrando para não cair, não deixei que os brutamontes me barrassem, mostrei logo o papelzinho. Gama e o manolo entraram e ficaram de longe olhando. O brutamonte mandou que eu passasse e outro cara me carimbou. Pude entrar tranquilamente.

O som de hip-hop contaminava o ar junto com a fumaça. Em alguns clubes ainda é permitido fumar dentro. Isso mata. O clube só tinha negão. Africanos e mais africanos dentro e umas tchecas doidas por eles. Era um ambiente até legal não fosse a fumaceira de cigarro. Entramos e guardamos os casacos. Fui para pista de dança com Gama enquanto o manolo ficava de longe só no balanço.

Havia um povo asiático lá também. Um maluquinho que se achava o Ne-Yo da coréia, e umas “japas” também. Dancei até cansar mostrando toda a malemolência brasileira no hip-hop (é eu danço legal). Cansei e procurei um lugar para sentar perto da pista. Havia algumas cadeiras disponíveis perto das japinhas, aproximei-me e sentei-me.

Fiquei lá um tempo para respirar um pouco. Uma das japinhas se aproximou e sentou ao meu lado.

- Cansou de dançar? – ela perguntou.

- É preciso dar uma respirada.

- Se importa se conversarmos um pouco?

- Não, por quê?

- Nada, você parece legal. Sou da Sibéria e você?

- Brasil.

- Oh, eu nunca fiquei com um brasileiro. – falou sentando no meu colo.

Ai meu Deus, eu juro que estava me comportando. A mulher era doida, sentou no meu colo e começou a acariciar as partes. Fiquei sem reação, mas aquilo estava errado. Tinha uma namorada e também tinha que manter a índole.  Não dava para catar geral e no dia seguinte chegar à Polônia com a cara lavada.
Pedi licença e saí dali. Não que eu fosse mole, mas sempre respeitei a pessoa com a qual estava comprometido. Gama aproximou-se e falou:

- Cara, vocês brasileiros são terríveis. Sempre atrás das mulheres. Eu preciso ir para casa, amanhã tenho um jogo de futebol. Você vai ficar aqui?

- Vou ficar mais um pouco. A coisa aqui tá legal.

E então Gama se foi e eu fiquei com o manolo. A siberiana não tirava o olho e a única coisa que me sobrou foi dançar com uma gordinha para ela parar de me secar. Deu certo, ela catou um negão e ficou por isso mesmo. O problema foram as outras siberianas com ela. Tinha uma que MEU DEUS! Suprema, mas não era para mim. Era melhor eu ir para casa. Ao menos não estava bebendo para não fazer besteira.

Despedi-me do manolo que estava se pegando uma gordinha doida e saí do clube. Passei pelos grandalhões da porta, desci os degraus e começou o problema. Saí escorregando e quase, mas quase mesmo caí no chão. Por sorte consegui me equilibrar a tempo. Seria um vexame. Havia gente do lado de fora. Duas minas se beijando e chamando um cara para se juntar a elas, e mais dois carinhas discutindo sobre futebol, além de outras pessoas que não lembro. Todos ficaram olhando para mim esperando eu cair. Não iria dar esse gostinho a eles.

Segui adiante até o cruzamento onde havia alguns táxis. Comecei a andar pela calçada, passei pelas meninas se beijando, pelos caras discutindo futebol e ao chegar ao cruzamento... ZUP! Pernas para o ar costas e cabeça no chão.

Foi um tombo terrível, mas eu não conseguia fazer outra coisa senão rir. Todo mundo na rua ria de mim e eu junto com eles. Tentei levantar-me... ZUP! Novamente. A coisa estava feia, nem ao menos levantar eu conseguia.  Uma das meninas que estava beijando a amiga ou seja lá quem fosse ajudou-me então a levantar. Quase caindo novamente eu consegui sair de lá. Entrei num táxi e voltei para a casa. Vergonha... ao menos não veria mais aquele povo. Estaria na Polônia no dia seguinte.

BR Na Europa!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Encontros...

O dia seguinte já estava todo agendado. Primeiro iria à embaixada, depois iria dar um passeio com a Sra. Hakkinen para que ela me mostrasse parte da cidade que eu não conhecia. Logo pela manhã fui ao centro, rumo a embaixada brasileira. Esse negócio de embaixada é sempre um pé no saco. Cheguei e fui logo atendido pelo cônsul. Ele ficou surpreso ao me ver novamente e perguntou como estava o processo de abertura da empresa.

- Não há empresa nenhuma. Eu desisti e resolvi viajar um pouco mais.

- Sei, mas segundo a secretária o assunto de nossa conversa seria relativo a isso, certo?

- Exato. Gostaria de saber um pouco mais sobre o apoio financeiro da União Européia. O senhor não me comunicou.

- Ah, sim. Existe esse apoio, mas apenas a pessoas que possuem direitos como cidadãos tchecos, residentes e possuidores de visto permanente ou temporário. O senhor possui algum desses documentos?

- Não.

- Então não pode tê-lo. O processo é um pouco burocrático, mas semelhante ao sistema do BNDES, porém caso você mantenha a empresa não precisará reembolsar a união européia, desde que siga os passos de seu relatório inicial. Como o senhor não tem como dar início ao processo de abertura de empresa, acho que nossa conversa acaba aqui.

Simples e grosseiro. Sem chances pra mim e mais uma vez eu saia da embaixada murcho. Não tinha porque ficar em Praga, era melhor ir para a Polônia e ficar com minha nova namorada. Sai da embaixada, segui para estação e comprei passagens novamente para Łódź, dessa vez sem volta. Eu iria no sábado a noite, sim novamente a noite. Não havia passagens para Katowice durante o dia. Se eu desse de cara com o “russo” novamente eu acho que choraria.

Voltei para casa para esperar a Sra. Hakkinen, tínhamos combinado de sair para que ela me mostrasse alguns lugares. Ao abrir a porta tive a surpresa. Mika estava lá. Ela abriu um sorriso e me cumprimentou. Foi bem simpática, mas a situação era incômoda. Não havia ninguém na casa a não ser ela. Não queria ficar lá com ela, eu poderia fazer alguma besteira. Então, chamei-a para tomarmos um café na galeria que ficava próximo a casa. Ela aceitou.

Conversamos um pouco, sobre a vida. Ela só falava do trabalho e eu da viagem, estava quase como o chato do trem. Na verdade eu só queria fazer com que o tempo passasse e a Sra. Hakkinen chegasse em casa. A Mika estava lá porque precisava ir ao médico. Iria voltar no mesmo dia para Ostrava, o que, não minto, deixou-me um pouco aliviado. Após um café bem enrolado, ela recebeu um telefonema. Era Chun Li certamente dando notícia ruim. Sua avó havia caído de uma cadeira e não conseguia se levantar. Ela estava presa dentro de casa e não tinha como ninguém entrar.

A queda da vovó me livrou da situação de ter de conversar com minha ex-noiva como se nada tivesse acontecido. Havia uma grande comoção na família para ajudar a snhora de certa idade, mas ninguém possuía a chave do apartamento a não ser o tio de Mika. A saída com a senhora Hakkinen foi cancelada devido a esse fato.

Como não tinha nada para fazer liguei para a Priceless Girl para avisar que eu estava voltando no sábado. Ela se desesperou:

- Mas rápido assim?! Pensei que você levaria um mês aí?

- Não gostou da notícia?

- Eu adorei, ficarei te esperando.

- Ah, tem mais um detalhe, dessa vez não ficarei em hotel.

- E onde você vai ficar?

- Em sua casa.

Acho que se fosse vídeo chamada eu poderia ver ela esbugalhar os olhos de susto. Ela gaguejou, falou que ia comunicar a mãe. Estava feito. Eu iria de mala e cuia para Polônia. 

BR Na Europa!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Formatura...

Era quase hora de começar a me arrumar quando larguei o videogame nas mãos de Jerry. Desci e fui me arrumar. Um banho rápido para tirar o suor do corpo era o suficiente. Passei uma camisa e comecei a me vestir. Uma meia pequenina, um meião de futebol e uma meia para sapatos por cima. Calças, cinto, uma camisa de manga longa, outra listrada que havia acabado de passar e só ficaria faltando o terno. Fui ao espelho me barbear e tentar colocar o cabelo de alguma forma que não ficasse todo esburacado. Estica daqui, cera no miolinho, escovadas e até que não ficou de todo mal. Deu para tapear, coloquei o terno por cima e pronto.

Subi para encontrar Chun Li e a Sra. Hakkinen. Elas já estavam prontas. O irmão de Chun Li ligou e pediu para que ela comprasse flores, saímos então nós dois para realizarmos o desejo dele enquanto a senhora Hakkinen esperava o ator de propagandas. Olha, a essa altura do campeonato eu já odiava neve ao extremo. Aquela noite estava fria e não nevava, mas a neve acumulada nas ruas era algo angustiante. Conseguimos sair de casa e pegamos entramos na estação de metrô. Paramos em um mercado e compramos as tais flores. Seguimos para o metrô e fomos ao centro.

Ao chegar lá a Sra. Hakkinen já estava a espera junto com o ator. Saímos da estação e seguimos para um prédio antigo. Logo na entrada olhei para cima e vi uma escultura de um homem montado em um cavalo morto de cabeça para baixo. A escultura estava presa ao teto, coisa que você só vê em Praga. Fomos adiante e Chun Li mostrou-me que lá havia uma boate onde apenas tocava-se música dos anos 80. Parecia bem legal, mas não era esse nosso destino. Um pouco a frente havia um monte de gente em uma estrutura de vidro. O irmão de Chun Li estava lá angustiado a nossa espera.

Chun Li entregou as flores a ele que por sua vez entregou-nos os convites para que pudéssemos entrar. Tiramos uma foto lá fora e seguimos para dentro do prédio. Descemos uma escada e lá havia onde poderíamos deixar nossos agasalhos. Ao seguir adiante vi um salão imenso abaixo e camarotes para todo lado. O irmão de Chun Li guiou-nos até uma mesa pedindo para que aguardássemos a festa começar, ele ficaria com a família da namorada.

O irmão de Chun Li, Sra. Hakkinen, o ator e Eu


Se você acha que festa de formatura tcheca é igual à brasileira onde um monte de gente se reúne pra comer e beber de graça se engana. Eu também pensei assim e me dei mal. Por sorte tinha levado a carteira com algum dinheiro. O lugar estava um pouco abafado e a sede logo apertou. O ator perguntou-me se gostaria de beber algo. Opa! Falou a minha língua, vamos uma cervejinha para alegrar a noite. Chun Li e sua mãe não são muito chegadas a álcool então ficaram somente no suco.

Chun Li, Eu e o ator já meio bebado


O ator chamou-me então para ir até o bar, pediu as duas cervejas e os sucos e PAGOU! Isso mesmo... Ele pagou, cara. Que decepção, pensei que ia comer e beber de graça e o que vi foi um bar lucrando. Muita sacanagem isso. Voltei a mesa e entreguei os sucos. Eu fiquei muito chateado com tudo, mas não tinha alternativa, era pagar ou pagar. Os formandos começavam a desfilar no salão de festa no andar de baixo por turma. Era gente que não acabava mais. Eu não iria beber cerveja naquela formatura, então mudei para o uísque que era quase o mesmo preço.

Uma mulher que estava acompanhada e sentava-se a mesa ao lado da nossa ficou olhando para mim. Analisou de cima para baixo e deu um sorriso maroto. Eu respondi com outro sorriso meio sem graça, se o marido dela vê um treco desses você já imagina a merda que seria. Peguei meu copo e comprei outro para o ator que contava suas mirabolantes histórias. Numa dessas, ele bateu o olho numa estudante e disse.

- Nossa que peitão! Tô emocionado, eu quero ela.

Que figura, o cara não chegava em mulher nenhuma e ficava naquele fogo. Ai eu soltei:

- É parece uma krava.

Krava em tcheco significa vaca, mas também significa puta, eu não sabia dessa última. Chun Li deu-me uma pisada no pé e disse para eu tomar cuidado com o que falava. O ator só fazia rir enquanto outros convidados olhavam feio para mim.

- Krava também significa puta.

Que vergonha. Eu meninão amarelo querendo mostrar conhecimento e fazendo cagada. Também ficou por isso mesmo. Minha ignorância foi perdoada. A festa comia solta no andar de baixo para os estudantes. Um cantor que havia formado na mesma universidade se apresentava com música popular tcheca. Enquanto isso eu estava em minha segunda dose de uísque junto com o ator. A Sra. Hakkinen comprou alguns salgadinhos para que pudéssemos empurrar com a cachaça, ela não parava de tirar fotos. Aliás, um fato interessante. Ela tinha uma máquina bem antiga, que ainda usava filme, e estava lá se esbaldando com seu material fotográfico.

- É importante tirar fotos, tenho um monte de filme em casa para usar. – era realmente uma figura.

Depois do cantor se apresentar era a vez de uma dançarina profissional também formada na universidade. Ela demonstraria como dançar vários ritmos inclusive SAMBA! Aquilo eu precisava ver. Ela começou com valsa, em seguida salsa, merengue, lambada, bla bla bla, até o tal samba. Que papagaiada, a mulher dançou samba do mesmo jeito que dançou valsa, só que mais rápido. ¬¬

Após a sambista de meia tigela apareceram uns garotos dançando break. Eu não sei por que esse povo insiste em dançar break se não tem ao menos ritmo. Fazer a papagaiada é possível com prática, mas fazer a papagaiada com ritmo tem que saber dançar, carai!

E finalmente o momento da noite. As turmas pegaram umas lonas e começaram a sacudir. Os alunos ficavam nas pontas esticando a lona como aqueles elásticos de bombeiro e ficavam gritando no andar debaixo. O objetivo era simples. Que estava em cima tinha que jogar o dinheiro pros infelizes. O dinheiro arrecadado pela turma seria usado para que eles bebessem naquela noite. ¬¬

Eles não me pagaram nenhuma cervejinha e eu ainda tinha que jogar meus trocados para eles. Peguei cinco moedinhas de 10 coroas e joguei pros infelizes. Todo mundo tava jogando um monte de dinheiro e eu não podia sair de pão duro lá. Joguei cinco moedas com intervalos de 4 segundos cada e pareceu que eu estava jogando bastante. Os infelizes embaixo pareciam que morriam de fome catando o dinheiro. Mas era por uma boa causa, eles precisavam encher a cara.

Era hora de dançar. O povo se amontoava enquanto o DJ soltava o som. Músicas antigas, tchecas e americanas. Rolou de tudo. Chun Li queria muito dançar, mas eu ainda estava bebendo a última dose. Como os ensinamentos de minha mãe diziam para nunca deixar o meu copo à toa, dei uma sugestão.

- Por que você não vai com o ator? – falei.

O ator então a pegou pela mão e levou lá para baixo. A Sra. Hakkinen só fazia rir.

- Algo aconteceu? – perguntei.

- Não, não foi nada. É que você disse para o ator levá-la para dançar só que ele não sabe.

Terminei meu copo e aproveitei para ir ao banheiro. A mulher casada que me olhava anteriormente me seguiu. Na porta do banheiro, antes que eu entrasse, ela perguntou:

- Gostei de você. Está sozinho?

Olha a confusão, imagina se o marido dessa senhora me aparece lá na hora e dá uma de xiliquento.

- Comporte-se. – falei dando um sorriso safado.

- Posso me comportar se você pegar meu telefone. – falou me entregando um cartão.

Agradeci e entrei no banheiro. Rezei pro marido da infeliz não entrar lá e me quebrar todo enquanto eu urinava. Por sorte ele não apareceu. Voltei ao camarote e respirei fundo. É cada doida que me aparece. A Sra. Hakkinen então me mostrou onde Chun Li e o ator estavam. Eu nunca tinha visto ela tão vermelha. Parecia constrangida ao estar dançando com alguém tão alucinado. Não demoraram nem cinco minutos lá embaixo. Eu ria da cara deles, e ria de pena ao ver a cara da Chun Li. Ao voltarem o ator parecia em êxtase enquanto a sua parceira estava mais decepcionada que tudo. Fiquei com pena e a chamei para dançar.

Divertimo-nos bastante aquela noite. Com o ator comentando sobre os peitos de uma das formandas, com máquina fotográfica perfeita dançando e bebendo. Ao voltar para o camarote vimos o ator torrando a paciência do irmão da Chun Li, ele havia ido lá para apresentar sua namorada à mãe e aos outros. Cumprimentamos e sentimos que era hora de voltar para casa, antes que o ator fizesse alguma besteira.

BR Na Europa!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Corte de cabelo no "Albergue"

A idéia de voltar a Praga era pegar minhas muambas e voltar à Polônia, mas como rolou o lance da União Européia eu pensei que poderia ficar por lá. Logo pela manhã liguei para embaixada para marcar um novo horário com o cônsul. Feito isso a Sra. Hakkinen apareceu avisando que tínhamos um convite para ir numa festa. A namorada de seu filho mais velho estava se formando e seria legal que eu fosse. Topei a parada, mas tinha um pequeno detalhe. Eu precisava cortar a minha juba.

Como Jerry, o mais novo dos Hakkinen, também estava cabeludo, a senhora Hakkinen resolveu levar-nos a sua cabeleireira de confiança. Eu fiquei logo bolado, porque não é qualquer um que sabe cortar cabelo duro. Tá, o meu não é tão duro, mas comparado aos cabelos tchecos o meu era “hardcore”.

- Não tem problema, Belino. Ela tem marido de cabelo diferente também, vai fazer um bom trabalho em sua cabeça. – já viu que esse negócio não iria dar certo, né?

Saímos os três para arrumar as cabeleiras. Seguimos em direção ao centro, e paramos na estação Muzeum, onde trocamos de linha. Paramos umas duas estações antes de onde ficava o maior shopping de Praga. Era um lugar residencial. Eu ainda não tinha passado por ali, mas por algum motivo me lembrava algumas ruas polonesas. Bem estranho mesmo.

Chegamos a um prédio e a Sra. Hakkinen usou o interfone. Jerry e eu estamos com ela, mas sem vontade nenhuma de participar dessa seção de beleza. Era melhor ter ficado em casa jogando Halo, mas como eu precisava apresentar-me bem para a bendita festa, o corte de cabelo era necessário, além do mais, meu cabelo quando grande é algo bem feio.

A porta se abrir diante a nós. Havia um pequeno corredor defronte. Era escuro e nele uma escada. Você já assistiu “O Albergue”? Pois bem, me senti no filme. Era o mesmo clima. Coisa de louco mesmo. O cheiro também era bem estranho. De coisa velha. Jerry pareceu não se importar e passou na frente subindo as escadas. Eu fiquei olhando e hesitando entrar, enquanto a Sra. Hakkinen dizia:

- Vamos, estamos atrasados.

Parece bobagem, mas eu pensei: “Será que agora vão arrancar minhas tripas como no filme só porque não casei com a filha dela?”. Isso ficou só no pensamento e fui subindo calado.  Na escadaria havia algumas janelas de vidro que deixavam a luz entrar, só que ela vinha “cortada” por grades de vidro, o que deixava o ambiente mais sinistro. Chegamos ao último andar e uma porta se abriu.

Uma loira sorriu e começou a conversar com a senhora Hakkinen. Entramos; era uma pequena sala com acessórios de salão de beleza. Consegui respirar tranqüilo assim que tirei aquelas cenas fortes do filme de minha cabeça. Jerry seria o primeiro a cortar a juba e eu iria em seguida. Peguei uma das revistas de fofoca de artistas tchecos pra dar uma olhadinha enquanto esperava.

O corte de Jerry não demorou muito e logo era minha vez. A mulher mandou-me sentar a cadeira. Aconcheguei-me e ela veio com a capa protetora. Foi aí que começou o pepino. Ela perguntou algo sobre o corte e eu lá com minha cara de bunda. A mulher não falava nada em inglês, NADA. Eu sinalizava de um lado, apontava de outro, amassava a cabeleira para mostrar a altura... a coisa estava complicada. Peguei e pedi a Jerry que traduzisse para mim:

- Você é a profissional aqui, faz o que achar que fica bom.

Jerry traduziu a frase e ela falou:

- Dobrý. – ou algo do tipo, já não lembro muito da língua tcheca.

Ela começou o corte. Picota daqui, máquina raspando acolá. Que tristeza, eu olhava o corte sendo feito no espelho e via a cagada sendo feita. Não era nada parecido com o meu corte tradicional. Deixe pra lá. Se ficasse pior que aquilo iria pedir para raspar. Era melhor ficar careca.

O corte foi feito. Eu sinceramente não gostei, ficou bem esquisito. Ainda mais com o penteado que ela me arrumou. Fazer o quê? Ao menos eu sabia que o cabelo cresceria novamente, ainda teria salvação. Talvez com um penteado diferente desse para passar despercebido na festa. Deixa pra lá.

A Sra. Hakkinen iria fazer algo demorado no cabelo e disse para irmos para casa. Falou que pagaria tudo e que eu não me preocupasse. A noite por volta das 10 teríamos a festa para ir. Jerry e eu voltamos para o apartamento para aproveitar o resto da tarde e jogar um pouco de videogame. A noite prometia...

BR Na Europa!

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De volta a Praga com uma praga falante

Como não fazia tanto frio tinha certeza que a viagem não seria tão sofrida quanto a ida para Łódź. Seria meio complicado mais dezoito horas dentro de um trem novamente. Eu já não teria a mesma paciência para agüentar tamanho sofrimento. Aquela viagem PRECISAVA mais do que tudo ser rápida e tranqüila, pois a meta era chegar a Praga antes do jantar.  Também não achava que seria legal chegar tarde a casa dos Hakkinen. Eu tinha as chaves e tudo mais, mas acho que seria bem rude chegar e não falar com ninguém.

Enquanto o trem seguia para Katowice e eu rezava para que nenhuma pausa acontecesse, eu notei o quão cheio o comboio estava. Só em minha cabine havia quatro pessoas. Talvez por ser manhã estava tão cheio assim, não sei dizer. Só sei que me sentia mais seguro. Havia me prometido que trens noturnos nunca mais, e assim pretendia que fosse.

A viagem foi linda no primeiro trecho. Consegui curtir as paisagens sem a frustração de ficar “estacionado em canto algum”. Em cerca de três horas e meia eu estava na estação de Mordor, ou melhor, Katowice.
Aquele lugar era assombroso não importava a hora do dia. Como já sabia todo o esquema da estação, parei e olhei o quadro de horários. Teria que esperar uma hora e meia pelo meu trem. O frio dentro do saguão era imenso e o vento que corria só fazia piorar. Os pombos dando vôos rasantes sobre as cabeças eram coisa de louco, ao menos não cagaram em mim.

Priceless Girl havia preparado uns sanduiches para a minha viagem. Foi ótimo, pois não precisei comprar comida. Segui para a cafeteria para passar o tempo. Um cafezinho para esquentar o peito e só. Ainda tinha cerca de quarenta e cinco minutos naquele inferno gelado. Como a cafeteria era bem pequena, não dava para eu ficar lá com uma xícara apenas ocupando lugar onde outras pessoas poderiam sentar. Saí e fui para o mesmo banco que fiquei esperando na primeira vez, em frente ao guichê de informações. O frio estava de lascar, fazia cerca de -16 graus.

Comi um chocolate e peguei a bíblia para ler. A reza para não ficar no meio do caminho precisa ser forte. Vi um rapaz com cara de estrangeiro próximo a mim. Ele andava de um lado para outro sem parar.
- Cara estranho. – pensei. – Não tem cara de polaco, ou de ser por essas bandas, é melhor deixar quieto, não quero confusão pro meu lado dessa vez.

Era hora de seguir para o trem. Peguei meus bagulhos e fui para a plataforma. O trem já estava lá esperando para zarpar. Entrei, procurei uma cabine vazia como de costume e me acomodei. O trem estava bem aquecido, não tinha do que reclamar. Sentei-me coloquei o chIpod no ouvido e esperei que partíssemos.
Em poucos instantes o cara maluco que andava de um lado para outro chegou a porta da minha cabine, abriu e perguntou em inglês se podia sentar-se lá também. Como não sou dono de nada liberei a entrada do infeliz. Ele tirou quase trinta quilos de capote do corpo e sentou-se. Respirava ofegante, e tinha um motivo. Assim que ele entrou na cabine, o trem partiu.

- Ainda bem que consegui chegar. – resmungou em português.

- Ou, você fala português cara? – perguntei entusiasmado.

- Pow! Falo sim, você é de onde?

- Sou de Salvador. E você?

- São Paulo. Você mora aqui na Polônia?

- Não, estou só de passagem. Estou voltando a Praga.

- Ah! Então já conhece Praga? Vale a pena mesmo a cidade? Também estou indo para lá.

Ai começou o bate papo de uma pessoa só. Ele começou a contar a viagem dele pelos cantos que havia passado. Berlin, Amsterdã, Estocolmo, Oslo... e estava saindo de Krakow para ir a Praga. A coisa andava até bem, o negócio é que o cara não parava de falar um minuto sequer. Era um monólogo daqueles bem chatos. O cara estava emocionado por estar passando frio. Que droga de emoção é essa? Cara masoquista. Ele simplesmente não parou de falar um segundo, do frio da Suécia, dos lugares que viu em Berlin, que ele amou Berlin, que ele iria voltar a Berlin, que gostou da Holanda, que não viu nada de interessante em Copenhagen... Ah! Eu fico cansado só de lembrar disso.

Então que veio a idéia da tática infalível do chIpod no ouvido. Fui vagarosamente catando o fone de ouvido do chIpod, selecionei uma música bem barulhenta, botei no máximo e coloquei o fone quando ele deu uma brecha no monólogo. Nem assim o cara parou de falar. Para piorar o chIpod morreu. Acabou a droga da bateria. Eu estava condenado a ouvir toda a conversa chata do cara durante a viagem que duraria cerca de seis horas.

Ele falou, falou, falou até que se cansou. Eu já nem dava ouvidos. Foi uma atitude um tanto rude, mas eu já tava de saco cheio daquela conversinha fiada. Após um bom tempo de viagem chegamos a Ostrava.

- Ainda falta muito? – ele me perguntou.

- Por volta de cinco ou seis horas. Quando chegarmos a Konin faltará bem pouco, então fica ligado nas placas. – respondi.

Ele então deve ter percebido que eu não estava com vontade alguma de ouvir e se calou. Seguimos então em silêncio, ou melhor, apenas com o barulho do trem, aproveitei para tirar um cochilo. A viagem era muito longa. Em alguma cidadela após Ostrava o trem encheu. Um monte de gente entrou e se amontoou dentro do vagão. Três garotas abriram a porta da cabine e se sentaram, conversavam em tcheco. O silêncio que eu tanto gostei para cochilar tinha desaparecido.

Uma das meninas então me cumprimentou. Não lembro o nome dela. Era bonitinha e tinha um jeitinho bem meigo. Perguntou de onde eu era e se estava gostando da Rep. Tcheca. Lembro que ela falou que fazia faculdade de história. E que tinha muita vontade de conhecer a fundo a história do Brasil. Conversamos sobre outras coisas mais até que o outro brasileiro se intrometeu. Ninguém entendeu nada. Eram três meninas e elas olharam uma pras outras, comentaram alguma coisa em tcheco e começaram a rir.

- Você é francês? – a que conversava comigo perguntou ao infeliz.

- Não, também sou brasileiro. Todos falam que ao falar inglês eu tenho sotaque de francês.

Haja paciência... O cara cortou o meu papo para falar besteira. Que Mané chato viu. A menina tentava falar comigo e ele cortava o tempo todo. Eu pensei em dar um chute no saco daquele cara para ver se ele calava-se. Só ficou no pensamento. Maldito. Mas isso ainda não foi tudo, como se não bastasse, ele parou para contar para as garotas a mesma história que contou para mim. Anteriormente, só que dessa vez em inglês. Eu pedi a morte. A mesma história de novo? Que saco! Eu amei Berlin, porque Berlin é fantástica, Berlin é perfeita, porque eu vi uma caquinha de cachorro no muro de Berlin.... Putz!

Eu já não agüentava mais aquilo, nem as meninas. Elas meio que deram as costas para o cara, mas mesmo assim ele não parava de falar. Elas ainda deram sorte de saírem antes de Konin, mas eu teria que ficar ali porque agora as outras cabines estavam todas cheias.

Ele perguntou como chegar ao centro da cidade, pois o albergue o qual ficaria se encontrava lá, e como poderia comprar passagens para o transporte público. Expliquei a ele direitinho, foi o tempo suficiente para chegar a Praga e me livrar da praga. Hehe.

Era o fim de uma viagem sem quebra de trem, sem frio (a não ser na estação), sem “russo”, mas com um chato no pé do ouvido que não parava de falar. Estava na hora de seguir para casa dos Hakkinen. Não teria problema com horários já que ainda eram 18h.

BR Na Europa!