Mostrando postagens com marcador Festa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Festa. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de outubro de 2010

A Última Noite em Praga - Final

Saímos do restaurante-boate por sugestão de Gama. Por mim ficaríamos lá mesmo. Era tranqüilo, não estava muito cheio e a bebida era barata. Como o plano anterior envolvia ir para esse outro lugar, acabei indo junto sem reclamar.

Seguimos em direção à Flora e pegamos um táxi. Os caras não deixaram a “gracinha” aqui pagar a parte dele. Foi até barato, coisa de 250 coroas tchecas (25 reais). Paramos a uma rua próxima ao centro num lugar um pouco apertado. Tinha um monte de gente na porta desse clube. A entrada custava 150 coroas tchecas (15 reais), mas o esquema era entrar sem pagar.

Havia nevado nos dias anteriores e parado a poucos dias, fazia muito frio do lado de fora, cerca de menos oito graus, e com isso, a neve que começava a derreter virava gelo nas calçadas. Então você imagina que alguns lugares a coisa era escorregadia. No equilibramos do outro lado da rua e traçamos o plano.

O manolo que sempre esqueço o nome possuía uma espécie de número em um papel com um carimbo (sim tudo nesse lado do mundo envolve carimbos).  Ele entraria, pegaria o carimbo no braço (não falei?!) e tentaria arrumar outro número lá dentro. Gama então entraria e pegaria outro número, e eu seria o último a entrar. Assim todos não pariam e a noite seria mais feliz. Hehe.

O manolo atravessou a rua e os brutamontes na porta o barraram. Gama e eu ficamos de longe observando a cena. Ele entregou o número, o gigante olhou, carimbou e deixou passar. A etapa um estava completa. Em três minutos o manolo voltava ao lado de fora. Pegou um número e entregou a gama. O papel tinha o número 15.

Então os dois seguiram se equilibrando sobre o gelo e Gama foi barrado na porta. Mostrou o papel com o número, foi carimbado e entrou. Eu fiquei lá na expectativa. Eles demoraram um pouco mais dessa vez, e eu com minha cara de bunda sozinho no frio. Cerca de dez minutos depois eles saíram.

- Oh Belino, a gente não conseguiu um número para você.

- E aí? O que vamos fazer.

- Você vai para casa e a gente fica.

- Sem graça, sério caramba.

- Toma aqui, é o mesmo número que eu usei.

- Não vai dar problema isso não? Olha o tamanho dos caras na porta, se eles me empurram eu estou lascado. Com esse gelo todo é capaz de eu ir parar dentro da estação de metrô.

- Fica frio e pega esse número. Fica tranqüilo, vai dar certo.

Peguei o tal número, me benzi e segui-os para a porta. Ao chegar lá me equilibrando para não cair, não deixei que os brutamontes me barrassem, mostrei logo o papelzinho. Gama e o manolo entraram e ficaram de longe olhando. O brutamonte mandou que eu passasse e outro cara me carimbou. Pude entrar tranquilamente.

O som de hip-hop contaminava o ar junto com a fumaça. Em alguns clubes ainda é permitido fumar dentro. Isso mata. O clube só tinha negão. Africanos e mais africanos dentro e umas tchecas doidas por eles. Era um ambiente até legal não fosse a fumaceira de cigarro. Entramos e guardamos os casacos. Fui para pista de dança com Gama enquanto o manolo ficava de longe só no balanço.

Havia um povo asiático lá também. Um maluquinho que se achava o Ne-Yo da coréia, e umas “japas” também. Dancei até cansar mostrando toda a malemolência brasileira no hip-hop (é eu danço legal). Cansei e procurei um lugar para sentar perto da pista. Havia algumas cadeiras disponíveis perto das japinhas, aproximei-me e sentei-me.

Fiquei lá um tempo para respirar um pouco. Uma das japinhas se aproximou e sentou ao meu lado.

- Cansou de dançar? – ela perguntou.

- É preciso dar uma respirada.

- Se importa se conversarmos um pouco?

- Não, por quê?

- Nada, você parece legal. Sou da Sibéria e você?

- Brasil.

- Oh, eu nunca fiquei com um brasileiro. – falou sentando no meu colo.

Ai meu Deus, eu juro que estava me comportando. A mulher era doida, sentou no meu colo e começou a acariciar as partes. Fiquei sem reação, mas aquilo estava errado. Tinha uma namorada e também tinha que manter a índole.  Não dava para catar geral e no dia seguinte chegar à Polônia com a cara lavada.
Pedi licença e saí dali. Não que eu fosse mole, mas sempre respeitei a pessoa com a qual estava comprometido. Gama aproximou-se e falou:

- Cara, vocês brasileiros são terríveis. Sempre atrás das mulheres. Eu preciso ir para casa, amanhã tenho um jogo de futebol. Você vai ficar aqui?

- Vou ficar mais um pouco. A coisa aqui tá legal.

E então Gama se foi e eu fiquei com o manolo. A siberiana não tirava o olho e a única coisa que me sobrou foi dançar com uma gordinha para ela parar de me secar. Deu certo, ela catou um negão e ficou por isso mesmo. O problema foram as outras siberianas com ela. Tinha uma que MEU DEUS! Suprema, mas não era para mim. Era melhor eu ir para casa. Ao menos não estava bebendo para não fazer besteira.

Despedi-me do manolo que estava se pegando uma gordinha doida e saí do clube. Passei pelos grandalhões da porta, desci os degraus e começou o problema. Saí escorregando e quase, mas quase mesmo caí no chão. Por sorte consegui me equilibrar a tempo. Seria um vexame. Havia gente do lado de fora. Duas minas se beijando e chamando um cara para se juntar a elas, e mais dois carinhas discutindo sobre futebol, além de outras pessoas que não lembro. Todos ficaram olhando para mim esperando eu cair. Não iria dar esse gostinho a eles.

Segui adiante até o cruzamento onde havia alguns táxis. Comecei a andar pela calçada, passei pelas meninas se beijando, pelos caras discutindo futebol e ao chegar ao cruzamento... ZUP! Pernas para o ar costas e cabeça no chão.

Foi um tombo terrível, mas eu não conseguia fazer outra coisa senão rir. Todo mundo na rua ria de mim e eu junto com eles. Tentei levantar-me... ZUP! Novamente. A coisa estava feia, nem ao menos levantar eu conseguia.  Uma das meninas que estava beijando a amiga ou seja lá quem fosse ajudou-me então a levantar. Quase caindo novamente eu consegui sair de lá. Entrei num táxi e voltei para a casa. Vergonha... ao menos não veria mais aquele povo. Estaria na Polônia no dia seguinte.

BR Na Europa!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Formatura...

Era quase hora de começar a me arrumar quando larguei o videogame nas mãos de Jerry. Desci e fui me arrumar. Um banho rápido para tirar o suor do corpo era o suficiente. Passei uma camisa e comecei a me vestir. Uma meia pequenina, um meião de futebol e uma meia para sapatos por cima. Calças, cinto, uma camisa de manga longa, outra listrada que havia acabado de passar e só ficaria faltando o terno. Fui ao espelho me barbear e tentar colocar o cabelo de alguma forma que não ficasse todo esburacado. Estica daqui, cera no miolinho, escovadas e até que não ficou de todo mal. Deu para tapear, coloquei o terno por cima e pronto.

Subi para encontrar Chun Li e a Sra. Hakkinen. Elas já estavam prontas. O irmão de Chun Li ligou e pediu para que ela comprasse flores, saímos então nós dois para realizarmos o desejo dele enquanto a senhora Hakkinen esperava o ator de propagandas. Olha, a essa altura do campeonato eu já odiava neve ao extremo. Aquela noite estava fria e não nevava, mas a neve acumulada nas ruas era algo angustiante. Conseguimos sair de casa e pegamos entramos na estação de metrô. Paramos em um mercado e compramos as tais flores. Seguimos para o metrô e fomos ao centro.

Ao chegar lá a Sra. Hakkinen já estava a espera junto com o ator. Saímos da estação e seguimos para um prédio antigo. Logo na entrada olhei para cima e vi uma escultura de um homem montado em um cavalo morto de cabeça para baixo. A escultura estava presa ao teto, coisa que você só vê em Praga. Fomos adiante e Chun Li mostrou-me que lá havia uma boate onde apenas tocava-se música dos anos 80. Parecia bem legal, mas não era esse nosso destino. Um pouco a frente havia um monte de gente em uma estrutura de vidro. O irmão de Chun Li estava lá angustiado a nossa espera.

Chun Li entregou as flores a ele que por sua vez entregou-nos os convites para que pudéssemos entrar. Tiramos uma foto lá fora e seguimos para dentro do prédio. Descemos uma escada e lá havia onde poderíamos deixar nossos agasalhos. Ao seguir adiante vi um salão imenso abaixo e camarotes para todo lado. O irmão de Chun Li guiou-nos até uma mesa pedindo para que aguardássemos a festa começar, ele ficaria com a família da namorada.

O irmão de Chun Li, Sra. Hakkinen, o ator e Eu


Se você acha que festa de formatura tcheca é igual à brasileira onde um monte de gente se reúne pra comer e beber de graça se engana. Eu também pensei assim e me dei mal. Por sorte tinha levado a carteira com algum dinheiro. O lugar estava um pouco abafado e a sede logo apertou. O ator perguntou-me se gostaria de beber algo. Opa! Falou a minha língua, vamos uma cervejinha para alegrar a noite. Chun Li e sua mãe não são muito chegadas a álcool então ficaram somente no suco.

Chun Li, Eu e o ator já meio bebado


O ator chamou-me então para ir até o bar, pediu as duas cervejas e os sucos e PAGOU! Isso mesmo... Ele pagou, cara. Que decepção, pensei que ia comer e beber de graça e o que vi foi um bar lucrando. Muita sacanagem isso. Voltei a mesa e entreguei os sucos. Eu fiquei muito chateado com tudo, mas não tinha alternativa, era pagar ou pagar. Os formandos começavam a desfilar no salão de festa no andar de baixo por turma. Era gente que não acabava mais. Eu não iria beber cerveja naquela formatura, então mudei para o uísque que era quase o mesmo preço.

Uma mulher que estava acompanhada e sentava-se a mesa ao lado da nossa ficou olhando para mim. Analisou de cima para baixo e deu um sorriso maroto. Eu respondi com outro sorriso meio sem graça, se o marido dela vê um treco desses você já imagina a merda que seria. Peguei meu copo e comprei outro para o ator que contava suas mirabolantes histórias. Numa dessas, ele bateu o olho numa estudante e disse.

- Nossa que peitão! Tô emocionado, eu quero ela.

Que figura, o cara não chegava em mulher nenhuma e ficava naquele fogo. Ai eu soltei:

- É parece uma krava.

Krava em tcheco significa vaca, mas também significa puta, eu não sabia dessa última. Chun Li deu-me uma pisada no pé e disse para eu tomar cuidado com o que falava. O ator só fazia rir enquanto outros convidados olhavam feio para mim.

- Krava também significa puta.

Que vergonha. Eu meninão amarelo querendo mostrar conhecimento e fazendo cagada. Também ficou por isso mesmo. Minha ignorância foi perdoada. A festa comia solta no andar de baixo para os estudantes. Um cantor que havia formado na mesma universidade se apresentava com música popular tcheca. Enquanto isso eu estava em minha segunda dose de uísque junto com o ator. A Sra. Hakkinen comprou alguns salgadinhos para que pudéssemos empurrar com a cachaça, ela não parava de tirar fotos. Aliás, um fato interessante. Ela tinha uma máquina bem antiga, que ainda usava filme, e estava lá se esbaldando com seu material fotográfico.

- É importante tirar fotos, tenho um monte de filme em casa para usar. – era realmente uma figura.

Depois do cantor se apresentar era a vez de uma dançarina profissional também formada na universidade. Ela demonstraria como dançar vários ritmos inclusive SAMBA! Aquilo eu precisava ver. Ela começou com valsa, em seguida salsa, merengue, lambada, bla bla bla, até o tal samba. Que papagaiada, a mulher dançou samba do mesmo jeito que dançou valsa, só que mais rápido. ¬¬

Após a sambista de meia tigela apareceram uns garotos dançando break. Eu não sei por que esse povo insiste em dançar break se não tem ao menos ritmo. Fazer a papagaiada é possível com prática, mas fazer a papagaiada com ritmo tem que saber dançar, carai!

E finalmente o momento da noite. As turmas pegaram umas lonas e começaram a sacudir. Os alunos ficavam nas pontas esticando a lona como aqueles elásticos de bombeiro e ficavam gritando no andar debaixo. O objetivo era simples. Que estava em cima tinha que jogar o dinheiro pros infelizes. O dinheiro arrecadado pela turma seria usado para que eles bebessem naquela noite. ¬¬

Eles não me pagaram nenhuma cervejinha e eu ainda tinha que jogar meus trocados para eles. Peguei cinco moedinhas de 10 coroas e joguei pros infelizes. Todo mundo tava jogando um monte de dinheiro e eu não podia sair de pão duro lá. Joguei cinco moedas com intervalos de 4 segundos cada e pareceu que eu estava jogando bastante. Os infelizes embaixo pareciam que morriam de fome catando o dinheiro. Mas era por uma boa causa, eles precisavam encher a cara.

Era hora de dançar. O povo se amontoava enquanto o DJ soltava o som. Músicas antigas, tchecas e americanas. Rolou de tudo. Chun Li queria muito dançar, mas eu ainda estava bebendo a última dose. Como os ensinamentos de minha mãe diziam para nunca deixar o meu copo à toa, dei uma sugestão.

- Por que você não vai com o ator? – falei.

O ator então a pegou pela mão e levou lá para baixo. A Sra. Hakkinen só fazia rir.

- Algo aconteceu? – perguntei.

- Não, não foi nada. É que você disse para o ator levá-la para dançar só que ele não sabe.

Terminei meu copo e aproveitei para ir ao banheiro. A mulher casada que me olhava anteriormente me seguiu. Na porta do banheiro, antes que eu entrasse, ela perguntou:

- Gostei de você. Está sozinho?

Olha a confusão, imagina se o marido dessa senhora me aparece lá na hora e dá uma de xiliquento.

- Comporte-se. – falei dando um sorriso safado.

- Posso me comportar se você pegar meu telefone. – falou me entregando um cartão.

Agradeci e entrei no banheiro. Rezei pro marido da infeliz não entrar lá e me quebrar todo enquanto eu urinava. Por sorte ele não apareceu. Voltei ao camarote e respirei fundo. É cada doida que me aparece. A Sra. Hakkinen então me mostrou onde Chun Li e o ator estavam. Eu nunca tinha visto ela tão vermelha. Parecia constrangida ao estar dançando com alguém tão alucinado. Não demoraram nem cinco minutos lá embaixo. Eu ria da cara deles, e ria de pena ao ver a cara da Chun Li. Ao voltarem o ator parecia em êxtase enquanto a sua parceira estava mais decepcionada que tudo. Fiquei com pena e a chamei para dançar.

Divertimo-nos bastante aquela noite. Com o ator comentando sobre os peitos de uma das formandas, com máquina fotográfica perfeita dançando e bebendo. Ao voltar para o camarote vimos o ator torrando a paciência do irmão da Chun Li, ele havia ido lá para apresentar sua namorada à mãe e aos outros. Cumprimentamos e sentimos que era hora de voltar para casa, antes que o ator fizesse alguma besteira.

BR Na Europa!